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Dados da Cidade

Alguns aspectos da história de Extrema

 

O território que pertence ao município de Extrema foi constituído a partir do desmembramento, em 1901, de terras pertencentes a Camanducaia, uma das mais antigas freguesias instituídas pela administração colonial na região que atualmente corresponde ao sul do Estado de Minas Gerais. Esta região durante grande parte do século XVIII foi palco de disputas territoriais verificadas entre população e autoridades das capitanias de São Paulo e de Minas Gerais. Desde 1720, quando houve a criação das capitanias de Minas e de São Paulo como unidades independentes, a questão da divisa entre essas circunscrições suscitou debates. Foi, contudo, a partir da descoberta do ouro de aluvião a oeste do Rio Sapucaí, na década de 1740, que tais disputas ganharam relevo. A intensificação dessas contendas levou Dom João V a estabelecer, por meio de uma provisão régia de 1747, que a divisa entre Minas e São Paulo deveria ser feita pelo alto da Serra da Mantiqueira. Tal decisão não conseguiu acalmar os ânimos na região, pois pouco mais de um ano depois, o mesmo monarca adotou, em provisão de 1748, medidas mais severas. Desta vez, recolheu ao reino o então Governador de São Paulo, Luiz Mascarenhas e nomeou para administrar aquela capitania, Gomes Freire de Andrade (Governador do Rio e Administrador de Minas). A este, ordenou que a divisa deveria ser feita pelos rios Grande e Sapucaí ‘’ou por onde vos parecer’’. Essa última cláusula possibilitou a Gomes Freire de Andrade propor outra interpretação da ordem real. Ignorando o Rio Sapucaí, levou a divisa ao sul, precisamente ao Morro do Lopo. Para sacramentar sua intenção, enviou para a região o ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, Thomaz de Rubim que teve a missão de elaborar uma demarcação territorial que compreendesse a referida área ambicionada. No auto de Rubim, a divisa passa pelo alto da Serra da Mantiqueira (a leste), pelo cume do Morro do Lopo (sul) e segue deste ponto em direção à Serra do “Mogiguassu” (oeste) rumo ao Rio Grande (norte). A perspectiva de incorporar a grande faixa de terra situada a oeste do Rio Sapucaí ao território mineiro foi motivada, sobretudo, pelo desejo de aumentar a arrecadação tributária a partir da exploração das terras minerais encontradas recentemente ao sul da Comarca do Rio das Mortes (em um período em que a região central da capitania encontrava-se em decadência devido à crise da mineração). Essa política expansionista chocou-se com os interesses dos paulistas que haviam encontrado o ouro de aluvião nessa região e ali fundado os primeiros núcleos populacionais. De fato, esses não aceitaram a demarcação de Rubim e recorreram ao Reino para protestar a usurpação de seu antigo território. De acordo com a documentação localizada até o presente momento, até 1764, não obstante as ofensivas mineiras, parece ter prevalecido na região de Camanducaia (Extrema) a jurisdição civil e eclesiástica de autoridades da Capitania de São Paulo. Tal cenário começou a mudar a partir de 1764, quando o então governador de Minas Gerais Luís Diogo Lobo da Silva empreendeu um “giro” pelas regiões fronteiriças (também pela região de Camanducaia) a fim de consolidar os limites de Minas. Para conseguir esse intento, Luis Diogo fez uso da força militar para invadir povoados, determinou a criação de registros fiscais, concedeu patentes militares e publicou bandos intimidando a população a se submeter à jurisdição de Minas. Na nossa região, uma das principais consequências de seu “giro’’ foi a determinação para que o registro fiscal situado às margens do Rio Mandú fosse transferido para as margens do Rio Jaguari. A partir de então, esse posto alfandegário, que exerceu também funções militares, passou a impor a presença mineira aos pés da Serra do Lopo, fazendo frente às forças de São Paulo e causando perturbações às populações locais.
No que se refere à existência de um núcleo populacional na região de Extrema, a primeira referência encontrada até o momento data de 26 de dezembro de 1788, quando foi registrado, junto à matriz de Nossa Senhora da Conceição de Camanducaia, o batismo de um menino cujos pais eram moradores no “Bairro da Extrema’’. Cabe destacar que a primeira sesmaria da região pertenceu a Cláudio Furquim de Almeida, “morador e cidadão da Cidade de S. Paulo” que recebeu em 1771, pelo monarca português Dom José I, confirmação da sesmaria que lhe fora concedida pelo então Governador do Rio de Janeiro e administrador de Minas Gerais e de São Paulo, Gomes Freire de Andrade em 1762. Segundo consta nesse documento (localizado no Arquivo Histórico Ultramarino) as ditas terras situavam-se entre o Morro do Lopo e o Ribeirão Camanducaia, área, portanto, que corresponde também a terras que se situam no território do município de Extrema. No que tange à constituição de uma capela, em agosto de 1832, treze anos depois de enviada, pela primeira vez, à Cúria de São Paulo, uma petição (de moradores locais) requerendo autorização para a construção de uma capela nesse local, foi aprovada pela autoridade diocesana, tal iniciativa, sendo a mesma consagrada à Santa Rita de Cássia. O período imperial no sul do atual estado de Minas Gerais foi marcado por movimentos separatistas que envolveram em muitas ocasiões, também habitantes de Extrema. Destacamos os projetos idealizados, na sua maioria, por membros de famílias provenientes de Campanha que defendiam a constituição de uma jurisdição independente nesta região. Em oposição a estas iniciativas, na década de 1850 diversas representações assinadas por moradores de freguesias e vilas da atual região oeste do Rio Sapucaí, inclusive do “distrito da Capela de Santa Rita da Estrema” foram endereçadas à Assembléia Provincial de São Paulo, solicitando a anexação desta área à então Província de São Paulo. Outro episódio que merece destaque foi verificado em 1833. Nesse ano, o administrador do Registro do Jaguari, Féliz Noronha tornou-se um dos protagonistas da insurreição verificada em Camanducaia, quando moradores liderados por autoridades locais proclamaram a elevação de Camanducaia à condição de vila e sua emancipação de Pouso Alegre. Curiosamente o referido administrador havia sido nomeado em 1820 por Dom João VI, que nessa data afastou todos os funcionários desse registro por desvios praticados nessa repartição. Nos últimos anos do século XIX, a chegada de europeus na região ganhou impulso, especialmente de italianos e portugueses. O mando exercido pelos coronéis, (a despeito de autoridades nomeadas pelo governo provincial), passou a conviver com a presença de imigrantes, que aos poucos foram se inserindo na vida política local. Posteriormente, registrou-se a chegada de imigrantes japoneses. Extrema obteve sua emancipação político-administrativa em 1901, ato comemorado anualmente no dia 16 de setembro. A instalação do município ocorreu a 1º de janeiro de 1902. O século XX foi marcado por intensas transformações na região, das quais destacamos a conclusão, em 1961, das obras da BR-31 (Atual BR 381 – Rodovia Fernão Dias), os primeiros esforços para a adoção do turismo como instrumento de desenvolvimento socioeconômico (década de 1960), a instalação da primeira indústria na década de 1970, a duplicação da BR 381, concluída em 2005, a intensificação da política de atração de indústrias (desde a década de 1980 até o presente momento) e um incentivo à diversificação da economia local aliado à preocupação com a manutenção de seus recursos naturais e culturais. Nos últimos anos o município se destacou em diversos indicadores socioeconômicos de Minas Gerais e do país. Destacamos a primeira posição alcançada no Índice Mineiro de Responsabilidade Social da Fundação João Pinheiro – ano base 2010 (que considera as áreas de saúde, educação, segurança pública, finanças municipais, meio ambiente, esporte e turismo, renda, assistência social e cultura). Além disso, Extrema foi classificada em primeiro lugar no Índice FIRJAN de
Desenvolvimento Municipal – edição 2015 – ano base 2013, (que analisa anualmente o desenvolvimento socioeconômico de todos os municípios brasileiros no que diz respeito aos itens emprego e renda, educação e saúde.
Rafaela Ferreira da Silva
ANDRADE, M. F. de. Elites regionais e a formação do Estado imperial brasileiro: Minas Gerais – Campanha da Princesa (1799-1850). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2008.
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